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Clínica Conectar-se Ana Paula Jardim

Terapia de casal

Terapia de casal: o que esperar das primeiras sessões

Não é um tribunal, nem existe alguém para dar razão. O que realmente acontece quando um casal decide procurar acompanhamento.

Por Ana Paula Jardim, Psicóloga — CRP 09/4202 6 min de leitura

A imagem que muita gente tem da terapia de casal é a de um julgamento: cada um expõe sua versão e o profissional decide quem está certo. Não é isso — e essa expectativa costuma ser o primeiro assunto a esclarecer.

O foco não é o indivíduo, é o vínculo

Na abordagem sistêmica, o que se acompanha é a relação. Isso muda a pergunta: em vez de “quem causou isso?”, trabalhamos com “que padrão vocês dois construíram, e o que ele está sustentando?”.

Quase sempre existe um ciclo repetitivo — um se aproxima, o outro se afasta; um cobra, o outro se cala — que ninguém escolheu conscientemente, mas do qual os dois participam. Reconhecer o ciclo costuma ser mais transformador do que ganhar a discussão.

O que acontece nas primeiras sessões

  • Entendimento do momento atual e do que levou vocês a procurarem ajuda agora.
  • Escuta de cada um, com espaço para as duas versões sem que uma anule a outra.
  • Identificação dos padrões de comunicação que se repetem nos conflitos.
  • Definição conjunta do que vocês esperam do processo.

Em alguns casos indico sessões individuais intercaladas. Isso não é sinal de que algo deu errado: é uma forma de trabalhar questões que ficam mais claras separadamente.

Perguntas que costumam vir antes

“E se só um de nós quiser?” É comum começar assim. Vale a conversa inicial mesmo que a decisão ainda não seja dos dois.

“Vamos ter que falar de tudo?” Não. O ritmo é de vocês.

“A terapia salva o relacionamento?” Não é possível prometer isso, e desconfie de quem promete. O que o processo oferece é clareza — e clareza às vezes leva a reconstruir o vínculo, às vezes a concluí-lo com menos dano para ambos.

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